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14/IV/14

Nice, França

Olá amigos!

Foi mais cedo do que eu pensava. Escrevi o último post hoje de manhã, sobre as esperadas mudanças na Ferrari, e logo em seguida me chama o amigo Pino Allievi, da Gazzetta dello Sport, para me dar a notícia de que Stefano Domenicali estava fora da Ferrari.

Bem, imaginava que veríamos uma nova gestão da equipe a partir do início da fase europeia, com o GP da Espanha, dia 11 de junho. Mas Montezemolo decidiu mudar já. Oficialmente Domenicali pediu demissão. Na realidade, aposto todas as minhas fichas que essa foi apenas a maneira delicada e oficial de sua trajetória na Ferrari terminar. Montezemolo o demitiu.

Depois do que viu no GP de Bahrein, quando lá esteve, Montezemolo sabia que era fundamental mexer no time. O modelo F14T é um fracasso. Muito mais lento que os carros da Mercedes. Dependendo da pista, como o circuito de Sakhir, fica atrás de Force India, McLaren, Williams e Red Bull.

Mas Domenicali não vai embora sozinho. A responsabilidade por a Ferrari perder a chance de voltar a fazer um carro vencedor, gerada pela mudança radical do regulamento, como se aproveitou a Mercedes, tem outros profissionais envolvidos. Dois, em especial: o coordenador dos projetos dos carros italianos desde 2007, Nikolas Tombazis, e o diretor da área de motores e eletrônica, Luca Marmorini.

Novo administrador não entende de F1

O novo diretor geral da Ferrari, Marco Mattiacci, romano, 44 anos, tem como primeira missão entender o que é a F1, algo desconhecido por ele, homem de negócios, e em seguida indentificar as áreas que apresentam desempenho muito aquém dos concorrentes. E, obviamente, substituir seus profissionais. Tombazis e Marmorini devem ser os próximos da lista, embora não deva ser coisa para amanhã ou depois.

Conversei há pouco, por telefone, com amigos italianos que já tiveram algum contato com Mattiacci. Formado pela Columbia Business School, está na Ferrari desde 2001. Introduziu a marca na China e, diante dos bons resultados conquistados, ganhou a confiança do administrador delegado da Fiat, Sergio Marchione, que o transferiu para os Estados Unidos.

Até antes do último fim de semana Mattiacci cuidava de tudo da Ferrari na América do Norte, até mesmo as atividades esportivas de GT com os modelos lá comercializados, cerca de 2 mil por ano, um terço da produção da Ferrari.

Falei ainda há instantes com Renato Bisignani, assessor da Ferrari, que está na sede de Maranello, sua base de trabalho. Nesta segunda-feira Mattiacci se encontra reunido com Montezemolo e os responsáveis pelas diversas áreas do time, tentando inteirar-se do desafio que o aguarda.

Por ser um profissional bem sucedido do ramo de negócios, gestão, mas sem formação técnica em automóveis, Mattiacci está tentando entender o que o aguarda no fim de semana, quando vai estar no circuito de Xangai dirigindo os 56 integrantes da Ferrari que se deslocam para as corridas e os cerca de 500 na sede, na Itália.

O que a Ferrari espera de Mattiacci é mais conquistas que apenas o título de construtores obtido por Domenicali, em 2008, seu primeiro ano como diretor geral do time. Mas com o carro e a unidade motriz, motor e sistema de recuperação de energia que possui, só um milagre o lança na luta pelo título, este ano.

Pilotos a Ferrari tem de sobra, Alonso e Raikkonen. Falta carro. E faltava gestão. Resta saber se Mattiacci será esse profissional que tanto justifica a Ferrari, com todos os recursos que possui, ficar de fora da luta pelas conquistas.

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14/IV/14

Nice, França

Olá amigos!

Estou certo de que em breve veremos mudanças importantes no comando da Ferrari. Três cargos em especial, talvez quatro, pelo menos, deverão ter novos profissionais. As palavras recentes de Luca di Montezemolo não deixam dúvida.

Penso ser muito provável a substituição de Stefano Domenicali na direção da equipe. E junto dele devem sair o coordenador dos projetos de F1, o grego Nikolas Tombazis, e o diretor da área de motores e eletrônica, Luca Marmorini. Acho que vai sobrar também para o diretor de engenharia, o inglês Pat Fry.

Montezemolo não pode passar batido diante de ver o modelo F14T apresentar performane tão distante de seus adversários. A mudança radical do regulamento, este ano, representava uma grande oportunidade para não só a Ferrari como para Mercedes, McLaren, e todas as demais de se aproximar ou mesmo tentar vencer a Red Bull, campeã nos últimos quatro anos.

Mas para a Ferrari as novas regras funcionaram ao contrário. Enquanto a Mercedes passou a andar na frente da Red Bull a Ferrari viu os concorrentes se distanciarem. E diante da natureza dos seus problemas sua recuperação não será de um instante para o outro. A Ferrari tem uma unidade motriz, motor e sistemas de recuperação de energia, bastante atrasada em relação a da Mercedes e o chassi F14T não tem eficiência aerodinâmica.

Domenicali, Tombazis e Marmorini tiveram tempo e recursos para realizar um trabalho melhor. E não fizeram. A hora é de dar lugar a outro grupo de profissionais. Para a função de Tombazis já há dois engenheiros trabalhando e eles vão assinar o carro de 2015, James Allison e Dirk de Beer. Começaram a trabalhar na Ferrari em setembro do ano passado, quando o F14T estava quase pronto, egressos da Lotus.

Como novo responsável pelo motor e eletrônica Montezemolo deve escolher um técnico, essencialmente, enquanto para a função de Domenicali as dificuldades são maiores. É um cargo também político. E nada fácil de ser executado. Penso que teremos uma surpresa na eventual substituição de Domenicali.

O que me parece certo é que não poderá ser alguém como o italiano, compreensível demais, pouco exigente e sem as características de um verdadeiro líder, como a F1 exige, em especial a Ferrari, pela natureza de seus integrantes.

Se tivesse de apostar, diria que a partir do GP da Espanha, dia 11 de maio, a Ferrari deverá ter gente nova na sua administração. Como escrevi para o UOL, no texto que está hoje no ar, Fernando Alonso com certeza vai acompanhar a reestruturação da Ferrari de perto. Seu futuro na escuderia de Maranello pode depender do que acontecer a seguir.

Se a Ferrari der sinais de que pode crescer a ponto de em 2015 pensar em lutar pelo título, já que o regulamento do ano que vem será essencialmente o mesmo deste ano, então haverá chance de Alonso permanecer no grupo. Caso contrário, o espanhol deverá recorrer à cláusula de performance que com certeza existe em seu contrato para lançar-se no mercado.

Vamos aguardar quem Montezemolo vai escolher. Como escrevi, eu me surpreenderei muitíssimo se não houver uma mudança de comando importante na Ferrari.

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