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Archive for the ‘Diário de Bordo’ Category

17/V/14

Nice, França

Olá amigos!

Como faço com regularidade aos sábados quando aqui estou, em Nice, hoje fui para a Itália. Da forma como escrevo parece que me dirigi ao aeroporto e embarquei em algum voo. Felizmente não é o caso. A Ligúria, região do Noroeste da Itália, faz fronteira com a região dos Alpes Marítimos da França. Assim, para ir de Nice a Ventimiglia, a primeira cidade italiana depois da fronteira, basta seguir a avenida que contorna a orla marítima. Em meia hora lá estou.

Saío de Nice e passo por Villefranche, Saint Jean-Cap-Ferrat, Beaulieu, sempre com o Mediterrâneo a minha direita, Eze, Cap-Ail e Mônaco. São cidades muito pequenas, dispostas numa área urbana contínua, bela, elegante. Depois de cruzar o Principado de Mônaco entro em Roquebrune e Cap-Martin. Evito passar pelo centro, opto sempre pela via litorânea, além de mais bonita, sigo sem parar. Saio da estrada que contorna Roquebrune e deparo com a vista maravilhosa de Menton, a útima cidade francesa antes da fronteira.

A não ser por uma edificação baixa e antiga que ainda existe, embora inoperante, não percebemos que já estamos em outro país. Não existe controle algum. Lembro-me de nos anos 90 haver até controle de passaporte. Como o meu é italiano, era bem vindo pelos guardas da Ligúria. Cinco minutos depois, sempre com o Mediterrâneo do meu lado direito, passo por Latte, um centrinho onde há um grande supermercado.

Os franceses, aos milhares, fazem suas compras lá. A diferença de preço para a França é brutal. Em tudo. A língua mais falada em Latte é o francês, não o italiano. Eles são muito mais frequentes lá. Dirijo mais cinco minutos e chego em Ventimiglia. A parte velha da cidade é tristemente horrível. Casas muito antigas, seculares, boa parte mal conservada e com as roupas estendidas nas janelas. Quem vê aquele cenário pela primeira vez fica chocado. É difícil acreditar que aquilo faz parte da Europa.

Mas depois da cidade velha vem a menos antiga, à beira mar e tudo muda. Há um grande mercado onde pode-se comprar alimentos de toda natureza, frescos. A qualidade é extraordinária. Frutas, legumes, frios, massas, doces. E há os pequenos produtores locais da Ligúria que levam seus queijos, azeitonas, ovos, pães, mel, dentre outros produtos. Deixei para falar do azeite no fim. Eles mesmos o produzem, são de vários tipos. Adoram te explicar o tipo de oliveira, como cuidam delas, como fazem o azeite, suas características etc.

Obviamente as massas devem ser tratadas à parte. Artesanais, confeccionadas com a farinha de trigo italiana, excelente, como as demais europeias. Acredite, faz muita diferença. Estamos na primavera no hemisfério Norte, época da alcachofra, então o recheio do ravioli é alcachofra. Já está entrando também a época dos aspargos e eles vão rechear o ravioli. Mas existe muito mais, inhoque, talharini, capeletti etc.

Nada é caro. Hoje comprei 350 gramas do ravioli com alcachofra e paguei 4 euros e 15 centavos, cerca de R$ 15 reais. Dá para duas vezes, bem servido. Os molhos eles mesmos, os comerciantes, fazem em casa, assim como muitas massas. E a concorrência além de derrubar o preço superpotencializa a qualidade dos produtos que, por se tratar de comida, na Itália, ganha ainda mais importância. Gosto dos simples, tomate com basílico, pesto ou mesmo derreter um pedaço de manteiga artesanal e espalhar sobre a massa, com o queijo Parmigiano Reggiano que também adquiro aqui e ralo na hora.  Comprei uma cesta de morangos colhidos da Basilicata, Sul da Itália, 1 quilo e 400 gramas, e paguei 4 euros. Havia outros bem mais baratos. Os meus estavam doces, saborosos, de cheiro intenso.

Os frios me deixam maluco. O presunto San Daniele, produzido em San Daniele, ao lado de Parma, representa o máximo na linha dos presuntos crú. E entre os cozidos o San Giovanni, não prensado, está no topo da lista. 200 gramas de cada um custa 4 euros, em média, ou R$ 15 reais. Deve ser saboreado em até três dias, no máximo, pois depois de cortados da peça tende a secar. O sabor é único.

Há um queijo que compro sempre: o gorgonzola dolce, mas que não é doce, apenas mole. É ideal para ser colocado numa panela, derretê-lo, adicionar uma pequena embalagem de creme de leite, uma pitada de sal e derramar tudo sobre o inhoque de batata que você comprou lá mesmo, na área dos meus amigos Flavio e Alessio.

Bem, vamos ficar por aqui senão amanhece o dia e eu continuo escrevendo sobre as maravilhas dos produtos aqui disponíveis e a bons preços. A cultura secular por comer bem gera essas coisas. Os italianos vivem muito em função do que vão comer. Quem produz algo que não tenha qualidade não sobrevive.

Há tempos penso em redigir um texto para o  blog sobre a região que passo a maior parte do ano, a Côte d’Azur, e a Ligúria, na Itália, bem como os restaurantes da área, alguns nas montanhas. Os Alpes estão nas nossas costas. Do lado de todas essas cidadezinhas que citei. Nas montanhas mais ao fundo ainda há neve no topo. Quando escrever esse texto vou adicionar uma série de fotos que farei.

Estou esperando a finalização dos detalhes técnicos para o blog passar a ser hospedado no UOL. E a partir daí eu ser bem mais presente. Necessariamente. Com muito prazer.

Voltando, recomendo, muito, conhecer o Sul da França, apesar de muitos franceses não fazerem nenhuma questão de serem simpáticos, e a Ligúria que, apesar de não ser uma das mais belas da Itália, tem seus encantos e come-se muito bem.

Abaixo deixo o link de um texto que escrevi para o UOL. É sobre a edição de 1982 do GP de Mônaco, o próximo do calendário, dia 25. Almocei uma ocasião com Riccardo Patrese no motorhome da Ferrari e ele, o vencedor daquela bizarra prova, me contou os detalhes do que passou. É bem interessante. E único.

Grande abraço, amigos!

http://esporte.uol.com.br/f1/ultimas-noticias/2014/05/17/monaco-1982-o-gp-em-que-o-piloto-que-venceu-nao-sabia-que-havia-vencido.htm

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18/IV/14

Xangai, China

Olá amigos!

Estou tentando inserir posts no blog e creio que por causa da censura aqui na China não está sendo possível. O campo para colocar um texto no ar não abre. Não deve ser problema técnico. O Facebook aqui é proibido, não há como acessá-lo, o gmail é impensavelmente lento, por vezes nem funciona, imagino que seja em razão de passar por vários filtros, e agora o blog não abre. O texto abaixo enviei a um amigo em São Paulo e solicitei para inserir no blog. Não sei qual será o resultado.

O texto:

Está um friozinho desconfortável aqui no autódromo. Venta. Nesse instante, antes do início da segunda sessão livre, 13 horas para mim em Xangai, 2 horas da manhã desta sexta-feira na Ilha da Fantasia, regresso à sala de imprensa a fim de redigir este texto. 13 graus lá fora, umidade do ar elevada, 79%.

Se você assistir à definição do grid ou à corrida na TV, atente para as duas estruturas elípticas enormes que cruzam a pista, postadas sobre as duas colunas redondas, no início e mais para o fim da reta dos boxes. Encontro-me dentro da elipse da entrada da reta, local da sala de imprensa, no nono andar desse edifício redondo. Repare que as paredes da elipse são de vidro. Temos lá de cima uma vista panorâmica de boa tarde do traçado.

Daqui a pouco os carros vão para a pista, segunda sessão livre. Na primeira, Alonso tirou gasolina do tanque e estabeleceu o melhor tempo, apesar de ele próprio ter dito em Bahrein que o desempenho do modelo F14T será bem melhor na China.

O novo diretor da Ferrari, Marco Mattiacci, falará conosco às 17h15. Usou o tempo todo óculos escuros dentro dos boxes, pela manhã, sem esboçar um sorriso. Enzo Ferrari também nunca tirava os óculos escuros. O céu está completamente encoberto, dia cinza. Estou curioso para conhecer um pouco a sua personalidade. O diretor da Ferrari é sempre notícia.

Cheguei quarta-feira à noite em Xangai, procedente de Nice. Voei para Amsterdã e de lá para cá. A KLM, que é uma boa companhia aérea, me reservou um lugar “maravilhoso” no seu Boeing 747-400: na porta do banheiro. Obviamente não fechei os olhos. A cada instante um chinês, a maioria a bordo, esbarrava em mim, nada delicadamente, diga-se, no meu ombro, cabeça, onde desse.

Decolamos do aeroporto Schiphol e tomamos a proa de Kopenhagem, na Dinamarca, sentido nordeste, atravessamos o sul da Suécia e o mar Báltico. Sobrevoamos Tallin, na Estônia para, em seguida, voar sobre uma cidade que não conheço mas tenho enorme interesse em lá estar, São Petesburgo, na Russia.

A seguir só vemos basicamente gelo, ao cruzar o norte de Chelyabinsk e Novosibirsk. Curva para o sul, na direção da capital da Mongólia, Ulan Bator, sobrevoo da cidade, e proa de Pequim. Passamos por uma das cidades mais interessantes de se conhecer, a capital Chinesa, para, finalmente, nos aproximarmos de Xangai, depois de 11 horas de voo.

Do aeroporto de Pudong, de dimensões que muitos brasileiros, acostumados com aquele descaso irresponsável de Cumbica, compatível plenamente com a visão dos homens que o comandam, em todas as suas entidades, Infrazero, Polícia Federal, Receita Federal e companhias aéreas, até o distrito de Jiading são cerca de 70 quilômetros.

Pode calcular, com boa vontade, uma hora e 20 minutos no táxi. Temos de cruzar do extremo sudeste, localização de Pudong, até o noroeste, onde se encontra Jiading. O táxi custa pouco: 50 euros (R$ 170) se considerarmos o deslocamento e o tempo perdido pelo motorista.

Ao chegar no bom hotel que nos hospedamos, refiro-me a parte da imprensa, uma surpresa desagradável: não havia mais apartamentos para não fumantes. O hotel é grande, bem como a rotatividade. Solicitei que se houvesse a possibilidade seria realmente necessária a troca do meu apartamento. A região de Jiading mudou radicalmente desde que aqui estive pela primeira vez em 2004.

O número de edificações, todas baixas, em destruição era alucinante, parecia ter havido um bombardeio aéreo. Lembro-me de ver várias hortas, ainda. Atualmente aqueles imensos quarteirões desocupados ou em fase de construção estão prontos. Definem outro mundo. São edifícios modernos, alguns muito altos, que abrigam empresas de toda natureza, embora a vizinhança do hotel privilegie escritórios de montadoras de automóveis, de muitas marcas.

Ao entrar no apartamento destinado a fumantes bastou abrir a porta para sentir o baque daquele cheiro profundamente desconfortável, para não dizer nocivo. A saída foi abrir totalmente a porta do terraço e suportar o frio e o barulho intenso do tráfego. Na China os motoristas andam com uma das mãos no volante e outra na buzina. Não é ofensivo buzinar. A mensagem é “olha, só para lembrá-lo, eu já estou ocupando este espaço”.

Rickie, o gerente do hotel, domina bem o inglês, raro por estas paragens, conseguiu um novo apartamento na seção não fumante já no dia seguinte. Ufa!

No jantar de ontem à noite, no restaurante japonês do hotel, onde comi Teriyaki, junto de amigos como Mark Hughes, do Motor Sport Magazine, bem como hoje pela manhã, no paddock, ouvi de fontes distintas a mesma notícia. Ao contrário do que se dizia em Bahrein, Bob Bell não deve ir para a McLaren, mas para a Ferrari. E parece que o negócio já está fechado.

Desde a chegada de Paddy Lowe na Mercedes, Bob Bell perdeu parte de suas funções. Procedendo a informação de que vai para a Ferrari e não a McLaren, e acredito nela porque, como disse, ouvi de fontes distintas, Bell será o primeiro engenheiro com cargo relevante a deixar a Mercedes depois de os alemães passarem a dominar a Fórmula 1. Começou a tentativa de descobrir os segredos de a Mercedes de um ano para o outro redimensionar sua participação no Mundial.

E hoje pela manhã soube também que Ron Dennis está tentando convencer Ross Brawn a voltar a F-1. E acena em repassar ao engenheiro inglês a condição básica imposta para ele para regressar à competição, ou seja, ser o número 1 da McLaren. Pode ser que dê certo e em 2015 Brawn assuma o comando da equipe.

Também em Bahrein um amigo meu, o mesmo que me contou aqui na China que Brawn falou com Dennis, pois é amigo do engenheiro, disse-me que o inglês estava relutando em voltar a Fórmula 1. Parece que pode mudar de ideia, o que seria bom, pois é extremamente competente.

Vou acompanhar o segundo treino agora e amanhã voltamos a nos encontrar aqui no blog, combinado?

Abraços!

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10/IV/14

Marselha

Agora só me resta esperar até amanhã, mais ou menos nesse horário, 15 horas para mim aqui em Marselha, o que corresponde as 10 horas na Ilha da Fantasia, ou Brasília. Até lá não tem jeito, é preciso aguardar. Vim até essa dinâmica e bastante particular cidade do sul da França para obter o visto de entrada na China.

Escrevo do hotel. Não vale a pena ir e voltar para Nice, dois dias seguidos. Pagando a taxa de urgência o consulado libera o visto de um dia para o outro. Foi a minha opção, diante da decisão de viajar a China na última hora. Caso contrário o prazo para entrega do passaporte seria maior.

Está custando caro esse visto. Resido distante 230 quilômetros de onde estou, avenida que me leva para o porto de Marselha. Para vir e regressar a Nice gasto um tanque (60 euros ou R$ 204). Há ainda o pedágio (32 euros ou R$ 108), uma diária de hotel (98 euros ou R$ 333), a elevada taxa cobrada pelo consulado, cerca de 100 euros (R$ 340) e as despesas com alimentação, almoço e jantar hoje e almoço amanhã (90 euros ou R$ 306). Em resumo, o visto vai sair algo como 380 euros ou R$ 1.300.

Cheguei a Marselha pela autoestrada A8. Foram duas horas e meia de deslocamento. Em parte dela a velocidade é limitada a 110 km/h e em outra, 130 km/h. Não seja flagrado acima dos limites. A multa é cara e a coisa é séria, aqui. Há radar e polícia para todo lado. Os franceses são exigentes quanto ao cumprimento das leis de trânsito.
A minha direita, o Mediterrâneo

Em compensação, vou regressar pela A50, se bem me lembro a identificação da estrada, por ser um caminho lindo. Seguimos ao lado do Mediterrâneo o tempo todo, até Toulon. Mais ou menos 30 quilômetros depois de deixar Marselha há uma pequena cidade que adoro, uma poesia, Cassis, à beira mar. Tudo é muito bem construído, organizado, limpo, nessa época as ruas começam a ficar floridas, enfim, o sul da França tem muitos atrativos e Cassis é um deles. Ah, come-se bem lá.

Enquanto Cassis expressa o melhor espírito francês, Marselha na maioria das vezes não o remete a França. Depois que o Marrocos, a Argélia e a Tunísia se livraram do domínio da França, houve uma forte imigração de cidadãos desses países, em especial, para cá.
E a cidade escolhida foi Marselha, pela proximidade geográfica e pelo clima, pois não faz muito frio nessa região. Hoje, por exemplo, estamos agora, 16 horas, com 15 graus. Disseram-me que ontem estava mais quente. Vale lembrar que aqui no hemisfério norte vivemos a primavera.

Há bairros de Marselha em que se tem a impressão de realmente não estar na França. A porcentagem de indivíduos de origem marroquina, tunisiana e argelina impressiona. O árabe é uma língua muito falada na cidade. A cultura desses povos emana por toda parte por aqui. Dos 1,5 milhão de habitantes da área urbana de Marselha creio que metade tem origem no norte da África.

Sobra simpatia

Nunca fui num único local aqui em que demonstraram desinteresse em me atender ou mesmo foram rudes, como é relativamente comum na França, em especial em Paris. O casal que me atendeu há pouco no restaurante me sensibilizou. Idosos, procuraram ser gentis de toda maneira. Não é esse o padrão de atendimento por estas bandas.

Assim que acabar de redigir esse texto vou até o porto velho, lugar magnífico, bem preservado, cheio de restaurantes e bares, a maioria de bom gosto. Seu nome é Le Painer, aprendi quando lá estive. Há ali também um mercado de peixes bastante ativo, chamam a área de Quai des Belges. Adoro visitar mercados. Seja onde estiver, vou aos mercados.

Eles me revelam traços importantes da cultura de seus povos. Senhores, mercado, hein, não supermercado. Estes foram pasteurizados e seguem aproximadamente o mesmo modelo no mundo todo e quase nada de original revelam.
Igreja impressionante

Uma ocasião fui visitar a imponente basílica Notre-Dame de la Garde, ou Nossa Senhora da Guarda, localizada no topo de uma colina, com uma estátua de Nossa Senhora imensa, banhada em ouro, no topo da torre.

A igreja não é muito antiga, remonta ao século XIX. Se levarmos em conta que Marselha começou a existir com o gregos e depois os romanos a tomaram, coisa aí de 2.200 anos atrás, então o século XIX representa simplesmente ontem. Tem-se uma vista esplendorosa da área do redor da basílica.

Voltando, olha que já rodei por esta Europa, mas não me lembro de ver uma estátua tão grande numa torre como aqui. A Nossa Senhora dourada deve ter uns 15 metros, pelo menos, e está sobre uma torre de não menos 40 metros de altura. O conjunto o deixa atônito, precisei de minutos para sair daquele estado de contemplação máximo.

Ainda não tive a chance de ir, mas assim que for possível pretendo visitar um local onde há cavernas habitadas por homens da pré-história. Há várias delas por aqui. Antropologia me fascina, sem passar a ideia de que entendo do assunto, por favor. A mais famosa é a Caverna de Cosquer, li uma reportagem sobre ela. É preciso agendar a visita e pelo que me informei há uma lista de espera. Mas deve valer muito a pena.

Terra da lavanda

Bem, seu eu continuar contando tudo ficarei aqui até bem mais tarde e pretendo dar uma volta, agora. Ia me esquecendo, pertinho daqui existe uma cidade chamada Aix-en-Provence, mais caracterizada por vida acadêmica.
Mas nos campos ao seu redor há muitas pequenas propriedades rurais que se caracterizam por plantar a lavanda, planta arbustiva de uns 80 centímetros de altura, de cor azul tendendo para o roxo. Os ramos juntos definem um conjunto de beleza rara. Tudo fica azulado, a mercê dos desejos do vento.

No Brasil a lavanda é também conhecida por Alfazema. Tem alto uso industrial na área de cosméticos. Seu odor agrada muita gente. Nesta época do ano estão começando a florescer. Para quem deseja ver esses campos magníficos, o mais indicado são os meses de junho, julho.

Para finalizar, queria lembrar que no ano passado vim para esta região para produzir uma reportagem sobre algo que realmente aprecio profundamente e, diante de ler muitas publicações a respeito, adquiri uma base mínima de conhecimento, a Física.

Reproduzir o sol na Terra

Depois de Aix-en-Provence podemos seguir por uma pequena estrada que leva a Cadarache, centro francês de pesquisa nuclear. É lá também que está instalado um dos projetos mais ambiciosos da humanidade, o Iter, ou International Thermonuclear Experimental Reactor. Para ser bem objetivo: deseja reproduzir o sol na Terra.

Estamos falando de fusão nuclear. Criar condições, elevando a temperatura a impensáveis 150 milhões de graus Celsius, ou dez vezes mais que no interior do sol, a fim de provocar a fusão de dois isótopos de hidrogênio para gerar um átomo de hélio. Bem genericamente, é o que ocorre na nossa estrela e tanta energia é capaz de gerar.

O sol conta com a gravidade de uma esfera de hidrogênio em estado plasmático de quase um milhão e meio de diâmetro, o que provoca uma gravidade elevadíssima no seu núcleo, onde ocorre a fusão. Mas na Terra não há como ter uma gravidade dessas.
A saída é levar o isótopo de hidrogênio a atingir o estado de plasma, imprescindível para gerar a fusão, através da elevação exponencial da temperatura. Dá para ter uma ideia do desafio tecnológico que o projeto representa? Produzi uma reportagem de página inteira para o Estadão, na época, com gráficos e desenhos. O tema é fascinante.

Se alguém conseguiu ler este texto até aqui, parabéns. Nos dias de hoje, mais de 20 linhas já é considerado um ensaio. Quando começo a redigir e tenho um tempinho, como agora, vou embora. Azar de vocês. Ciao, estou saindo para o porto velho de Marselha. Abraços!

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